HISTÓRIAS DOS DEMITIDOS DO BB

Espaço aberto às histórias dos Demitidos do Banco do Brasil, aos depoimentos de familiares e amigos dos demitidos falecidos ou desaparecidos, e aos colegas aposentados precocemente para sobreviver às demissões abusivas, os quase Demitidos do BB.

DINIZ ANDRADE JUNIOR – Matrícula BB 2.442.440-4

4 04UTC novembro 04UTC 2009

RELATÓRIO SOBRE MINHA DEMISSÃO DO BB E CONSEQUÊNCIAS              

Assumi no Banco do Brasil S.A. em Nova Cruz - RN, no dia 11 de agosto de 1980. Foi à data mais feliz da minha vida. Na Época, eu trabalhava 10 hs por dia. Era época de custeio agrícola e o Banco pagava 4hs de prorrogação/dia. Mesmo depois de terminar o custeio, continuamos a prorrogar 2hs/dia, pois a agência necessitava. Daí, eu nunca mais deixei de prorrogar o expediente de trabalho, adquirindo mais tarde direito permanente de oito horas de trabalho diário. Trabalhava muito, mas era feliz. Consegui até comprar uma casa e carro novo.

Em 1995, eu estava lotado na Agencia de Parnamirim – RN. O terrorismo entre o funcionalismo do BB estava formado. Mensagens chegando a todo instante da Direção Geral, dizendo que o Banco precisava conter despesas e para isto teria que demitir funcionários.

A alternativa seria o Pacote de Demissão Voluntária – PDV, que estava sendo criado e que nos mostravam os valores e ainda nos prometiam assistência, fora do Banco, profissional, financeira e psicológica. A pressão era forte e principalmente em cima de mim que era funcionário de 8 hs. Tido como funcionário caríssimo para o BB. Já estava certo, quem não pedisse demissão seria transferido, pois o quadro pessoal da agencia tinha se reduzido para menos do que a metade.

 Saí em Julho de 1995 no PDV. Restava a dor no peito e a pergunta. E agora? O que eu faço? Fui preparado e bem preparado para ser bancário. O que fazer fora do Banco. Tentei fazer alguma coisa que lembrasse o Banco, então abri uma Factoring. Era o começo da minha ruína. Começou a inadimplência e eu comecei a investir em outra coisa para salvar o capital.

 

  Precisava de dinheiro rápido. Daí eu me meti em promover eventos. Contratei o palhaço Tiririca para fazer show em Mossoró-RN, João Pessoa-PB e Recife-PE. Nas três cidades com datas corridas, porque ficava mais barato. Senhores, quase enlouqueci de desespero. Cada show custava em média R$ 40.000,00 para apurar R$ 10.000,00 na portaria. Gastei R$ 120.000,00, para apurar R$ 30.000,00. Tive que vender minha casa quitada, a chave da casa da PREVI, meu carro, entrei no cheque ouro, cartão de crédito e ainda fiz um CDC para pagar as despesas, senão eu morria.

 

Dizem o Banco e a PREVI que estou devendo ao Bando (bando mesmo) e a PREVI, eu tenho certeza que eles é que me devem e, não tenho como pagar, mas eles têm, porque me roubaram muito mais na demissão abusiva e criminosa do que dizem que devo a eles, pois se apropriaram indebitamente da minha poupança de aposentadoria complementar, portanto, penso que não devo, nego e não pago, enquanto não me pagarem o que me devem, negam e não pagam.

 

Não gosto nem de me lembrar, estou digitando e tremendo. Perdi tudo e estava completamente só, não tinha o apoio do Banco cujo qual defendia tão veemente. Senhores, eu procurei terra e não encontrei, eu quis morrer. Meu pai me acolheu e me ajudou.

  Ainda estou de pé, porque Deus sempre me segurou. Hoje, sou hiper-tenso e pré-diabético. A angustia e o desespero faz parte do meu dia–a–dia, sem perspectiva do amanhã. Se eu conseguir de volta a minha a aposentadoria roubada, vai ser o dia que vou recomeçar a viver.

Natal-RN, 30 de outubro de 2009.

Diniz Andrade Junior – Ex-funcionário do Banco do Brasil S.A. – Matrícula BB 2.442.440-4

Deus é a minha praça forte e torna reto o meu caminho;

Adestra as minhas mãos para o combate e os meus braços para retesar o arco de bronze;

Tu dás-me o teu escudo de sal­vação e a tua bondade faz-me prospe­rar.

(Salmo 22: 33; 35; 36)

FRANCISCO MÁRIO DINIZ SOARES - Matrícula BB 3.446.070

  Sou cearense e ingressei no Banco do Brasil em 10.07.72, na cidade de Carolina (MA). Daí fui transferido para Juazeiro do Norte (CE), depois para Russas (CE) e, finalmente, para Aquiraz (CE), onde terminei minha carreira por conta do famigerado PDV-1995-, à época com 23 anos de serviço e 45 anos de idade.

  Por que aderi ao PDV? Porque faltando poucos dias para o final do prazo para adesão percebi através de relatório diário da DG que faltavam muitos adeptos para atingir a meta de 16.500 voluntários proposta pelo banco. Daí, eu formulei indagação querendo saber, caso a meta não fosse atingida, se iriam fazer demissões sumárias até atingir a meta. Responderam sim, e que iriam pegar principalmente quem tivesse processo disciplinar, dívidas e outros fatos desabonadores ou ainda, quem constasse da lista de elegíveis.

 

Como eu tinha um processo disciplinar por conta de uma atividade extra-banco e era considerado elegível, optei por “embarcar na canoa furada” para não perder a merreca da pecúnia – o resto das “vantagens” não passavam do que a lei determina – mal sabia eu que com mais de 21 anos de serviço qualquer servidor somente pode ser demitido por justa causa. Portanto, fui coagido a pedir demissão.

Com o dinheiro da indenização construí um galpão e instalei uma pequena fábrica de móveis. Mas, como imobilizei todo o meu capital, fiquei sem giro para tocar o negócio que algum tempo depois veio a falir.

 Posteriormente, consegui um emprego (cargo comissionado) na Prefeitura local, onde fiquei por 04 anos. No entanto o prefeito atual, que assumiu em janeiro do corrente não renovou o meu contrato e o fato é que estou desempregado até hoje. Já fiz várias tentativas de bicos, mas nada tenho conseguido e estou atualmente vivendo às custas dos meus sogros (ele operário de uma indústria de álcool e cachaça e ela lavadeira de roupas). Confesso que sou grato a eles, mas minha vide tem sido um inferno por conta de constantes piadas que credito à ignorância e analfabetismo da minha sogra. 

 Tenho 05 filhos adultos, já criados, e um filhinho de 03 aninhos o qual matriculei em uma escolhinha particular (eu tinha emprego), mas não estou conseguindo pagar as mensalidades e não sei se vou poder continuar mantendo ele na escola no próximo ano. Semana passada, eu fui pegá-lo na escola e o mesmo queria que eu lhe comprasse uns bom-bons e eu não dispunha sequer de R$ 0,20 para fazê-lo parar de chorar. Isto não é apelação não, é fato real. Eu poderia não estar passando por isso não fora a malícia e crueldade do governo irresponsável do tal FHC, que retirou a dignidade, emprego, aposentadoria, plano de saúde, roubou os sonhos e vidas de milhares de trabalhadores honestos e capacitados.

Tentei reverter nossa situação, em outubro de 2008 enviei e-mail com apelo ao Ministro José Pimentel – Previdência Social – porém, nosso ex-colega jamais respondeu.

 

Esta é a minha história contada de forma reduzida.  

 Sei de outras tantas até mais comoventes que a minha, sem falar em dezenas de colegas que no cúmulo do desespero cometeram suicídio e outros tantos que sofreram enfartos, AVC, etc.

  Por isso nós, os Demitidos do BB, juntos, conscientes e unidos, exigimos a reparação de todos os danos que nos causaram.  VAMOS À LUTA!!!

Francisco Mário DINIZ Soares

 A palavra certa na hora certa é como um desenho de ouro feito em cima de prata.

(Provérbios 25.11)

MARIA ANICETA DA SILVA – Matrícula BB 6.827.675

22 22UTC outubro 22UTC 2009

Assumi no BB em 1975 e sumi do BB no PDV em 1995. O tempo que transcorreu entre os primeiros anúncios de que iria sair uma lista de elegíveis para aderirem ao PDV e a concretização deste, foi muito drástica para alguns e desumanamente letal para outros. Tínhamos escolhas?  Não. Éramos elegíveis em tudo, candidatos a nos comportarmos daquela forma.

 

Tudo era esperado, seguramente previsto por “eles”, os autores desse crime.

 

Talvez o inesperado esteja acontecendo agora com essa união hoje, embora tardia, mas acontecendo, são conquistas, esperanças, lutas e iniciativas através de blogs, orkuts, sites, PLs, Movimento, audiências, reuniões e Associações.

 

As reuniões que aconteciam naquela época terrível, na gerência com os elegíveis, funcionavam como um reforço mais pesado que adicionasse “mais pressão na panela” até o ponto de finalmente estourar, mas só que, do nosso lado. Um dia, para exemplificar momentos entre tantos, nesse processo que deixou seqüelas importantes para os que sobrevivem até hoje, eu estava designada para atuar numa bateria de caixa e repentinamente era designada para assumir um atendimento específico, noutro setor, onde propositadamente, eu não houvesse sido treinada para isso.

 

  Outro exemplo: mandavam-me pegar um baú na tesouraria para atuar no caixa na agência local e depois desistiam e me faziam encerrar o caixa, no meio do expediente, para sair da agência e atuar num posto de serviço em outro bairro. No dia seguinte, ao retornar para o trabalho eu não sabia o que iria acontecer comigo. Para onde me mandariam?  O que diriam? E frases como: “ela não sabe fazer esse serviço”, resultante de uma situação criada para me constranger na presença dos clientes.

 

Quando em casa chegava, começava a chorar sem saber o que decidir, chamava meus dois filhos para conversarmos juntamente com meu marido (hoje ex-marido) e contava da aflição e pedia a opinião deles sobre o que eu deveria fazer.  Eu falei pra eles que estava sendo ameaçada de, se não aderisse ao PDV, o Banco me transferiria para muito longe da minha família. Situação que não era muito bem vista por todos: meu marido, meus dois filhos e eu. Mas ainda aleguei para eles, argumentando, que dois anos se passariam rápido. Eu poderia ir para onde o banco quisesse me mandar e eles (meu marido e meus filhos) haveriam de ficarem bem porque os filhos, já os considerava menos dependentes de mim. E este era o tempo que faltava para me aposentar, adicionando o tempo que trabalhei como professora contratada do Estado antes de assumir no banco.

 

Pois bem, entre incertezas e esperanças de que não iriam me acontecer coisas tão graves eu resolvi assinar. Não só pensando em mim como deveria, nem sem antes consultar minha família, sobre se caso aderisse ao PDV e algo desse errado no futuro por causa disso, como ficaríamos?  Eu me sentiria muito culpada. E isso aconteceu, me trazendo muitos problemas existenciais. Meu marido quis ir até a agência procurar saber sobre os assédios que eu comentava de leve, porque sabia do seu temperamento e capacidade de querer tomar satisfações e se fosse o caso partir até para agressão física com algum colega, por isso não comentava de fato, o terror a que realmente eu estava sendo obrigada a vivenciar. Chegava à minha casa e não conseguia dormir pensando sempre no dia seguinte. Tinha que ficar calada e refletindo, num isolamento psicológico conseqüente dos assédios morais que sabia, iriam se repetir no dia seguinte.

Esse período fatídico, constrangedor, repulsivo, porque partindo do seu próprio colega, alguns até considerados amigos, foi o início de um processo psicológico que havia sido plantada a semente naqueles instantes e eu nem tinha condições de perceber o que o banco estava realmente fazendo comigo, além de simplesmente me roubar o emprego. Não só arrancando das minhas mãos a minha dignidade conquistada com muito estudo e esforço, mas me fazendo entrar num processo depressivo e angustiante de me ver de repente em casa com perspectivas incertas diante do que o banco agora me oferecia para “me virar” sugerindo entrar num negócio empreendedor.  Havia certa resistência em me direcionar para essa nova condição porque fui treinada, durante 20 anos, para ser executiva.

 

Quando assinei o PDV me afastei do Banco, dos colegas e da própria vida.

 

Presenciei muitos absurdos acontecendo: colegas sendo hospitalizados e alguns não resistindo e chegando a falecer, inclusive, dentro do próprio ambiente de trabalho. Isso funcionava até como mais um tipo de pressão para que aderíssemos ao Programa o mais rápido possível.

Lembro um fato que me chocou bastante: meu filho esteve na agência onde trabalhei pela última vez e um colega quis saber como eu estava e perguntou se eu havia me arrependido de ter aderido ao PDV. Ele estava na dúvida se também deveria aderir ou não. Lembro-me que meu filho me havia feito essa pergunta e eu falei que sim, havia me arrependido e lamentava muito, mas agora não tinha mais jeito. Era vivenciar as conseqüências da melhor forma possível, se é que existia uma melhor forma possível de vivenciar uma ruína dessa natureza. Meu filho respondeu então a esse colega, que sim.

 

  Em seguida a esse fato, soube alguns dias depois que ele havia dado um tiro na boca usando sua espingarda em casa. Recordo-me que esse colega era muito revoltado e de temperamento inquieto, político, envolvido em campanhas dessa natureza. Coincidência ou não, talvez esse sim, tenha contribuído também para o somatório dos conflitos existenciais que no momento vivenciava, entre deixar o emprego e/ou outros que sempre desconhecemos o que vai no íntimo das pessoas.

 

O dinheiro que recebi meu marido emprestou para amigos e familiares, ocasionando algumas perdas por causa disso; simultaneamente eu buscava nos jornais de grande circulação no país, algo que me atraísse e visse como oportunidade de trabalho. Sugeri ao meu marido que comprássemos uma franquia e assim o fizemos.  Atuamos em Natal e chegamos a nos transferir para Recife e lá administrávamos duas franquias de vendas de micro-computadores, mas por pouco tempo. Começamos a ter problemas familiares e resolvemos voltar para Natal, se desfazer das franquias e empreender nosso próprio negócio. Começamos a centralizar esforços familiares nessa nova empreitada e tudo estaria bem se junto com tudo isso não estivesse sendo acentuada a questão da incompatibilidade pessoal e profissional entre meu marido e eu. Nesse ínterim, cabe ressaltar que continuávamos a pagar a casa até fevereiro de 2000, também meu INSS, já que por precipitação e ignorância eu havia rejeitado a condição que o banco me oferecia de continuar pagando por 05 (cinco) anos meus direitos, para que no tempo hábil eu pudesse me aposentar pela PREVI.

 

  Resolvi primeiro sair do negócio, que havíamos montado juntos, meu ex-marido e eu, para em seguida também sair da sua vida. Abandonei minha casa e fiquei sem saber o que fazer da vida.

 

Tinha minha aposentadoria que havia apressado em consolidar por causa da condição financeira de continuar pagando por mais tempo, deixando então de receber um valor mais significativo hoje, para continuar vivendo com mais dignidade. Vale registrar que se minha família (minha mãe e uma irmã) até hoje não me ajudasse pagando meu plano de saúde e complementando minha subsistência, penso que nem teria como saber que existia um movimento nacional lutando pelos nossos direitos.

 

  Por causa de uma separação traumática, embora acontecendo em seguida o divórcio consensual, adicionado a tantos outros problemas já existentes, precisei de ajuda psiquiátrica, psicólogo (sessões de psicoterapia) e medicação controlada, que até hoje ainda me é administrada, tanto para ajudar a sair de um “transtorno de estresse pós-traumático” adquirido pela separação como para ajudar a administrar a conviver da melhor forma com todas as conseqüências advindas e ocasionadas pela minha adesão coercitiva ao PDV.

 

Meu” imóvel, comprado através da PREVI, se deteriora a cada dia. Vivo na expectativa da chegada de um oficial de justiça, haja vista a falta de condição para continuar pagando tampouco preservando; sofro ameaças de advogados contratados pela PREVI para continuar aterrorizando e ameaçando tomar o único lugar que possuo para morar.

 

   Entretanto, reluto ainda pensando recuperar uma reparação por tantos danos, embora alguns irrecuperáveis, porque não se reverte a natureza humana quebrantada pela agressão moral e desumana que fomos obrigados a vivenciar. Mas sabemos que o Banco e a PREVI sabem que nada disso teria acontecido, nada estaríamos devendo se não houvessem roubado nossos empregos, aposentadoria, plano de saúde, financiamento imobiliário, violado nossos direitos humanos.

 

 

Sobre todo negócio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miúdo, sobre veste, sobre toda coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a causa de ambos virá perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes o pagará em dobro ao seu próximo.

E ainda mesmo que houvesse eu afirmado ao pecador que ele haveria de morrer, se, renunciando ao mal, se ele devolver o penhor que exigiu, se restituir o que roubou, se observar as leis que dão vida e se se abstiver de todo o mal, ele viverá e será preservado da morte.

(Êxodo 22: 3; 9 e Ezequiel 33: 14-15) 

VICTAL BYRNES DE OLINDA - Matrícula BB: 9.512.640-6

21 21UTC julho 21UTC 2009

DEPOIMENTO AO BBLOG DO ROMILDO
Caros Colegas,

        Estou chegando neste Bblog do Romildo agora, mas estamos juntos desde 1969, quando ingressei no BB, tendo saído por circunstâncias não muito claras e com os ouvidos cheios de promessas vãs, em 1995.

Em 1996, quando procurei o Banco para fazer um empréstimo numa linha de crédito que havia sido criada para atender aos pedevistas, um dos gerentes da agencia que procurei (Ag. Centro-Salvador-BA), simplesmente me informou que a rubrica contábil criada para a finalidade existia, mas não havia recursos.

  Vejam só o quanto o Banco pretendia nos apoiar! Um ano após - que é exatamente o prazo que normalmente uma empresa nova começa a passar por dificuldades financeiras - já não se conseguia o apoio financeiro do ex-patrão. Apoio esse largamente divulgado.

As dificuldades por que tenho passado, venda de casas, de terrenos, de carros, endividamento, SPC, SERASA, processos de cobrança de IPTU (com penhora recente da casa que me restou e onde moro com minha família).

Apreensão e Busca de Veículo, débitos junto ao Banco que foram objetos de cobrança por empresas, cartões de crédito, financiamento da PREVI em atraso, com cobrança, também, por empresa do ramo.

A discriminação do mercado formal de trabalho, devido à idade. O curso superior não concluído por ter sido jogado pra lá e para cá pelo Banco, tendo trancado a matrícula na Universidade Federal do RN e não ter tido condições de concluir, por ter sido transferido para interiores de Alagoas, Sergipe, Minas Gerais e Bahia.

Tudo isso, e mais o sonho de poder retornar a ter um salário fixo, para poder planejar a vida da minha família, servir de exemplo para os filhos com um trabalho digno e representativo, tudo, tudo, tudo, já li e reli neste Blog, nas palavras de diversos colegas que, como eu, se sentiram ludibriados, e se sentiram - até - envergonhados ao entrar em alguma agencia do Banco.

No nosso pensamento se passava a idéia de que todos os funcionários liam na nossa testa “Devo ao Banco”. Só que como diz o ditado: “Devo, não nego, pago quando puder”!

Caro Marcelo Dantas, também tenho o Livreto “PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO”, de julho/1995. Este está à minha frente, no exato momento em que digito estas linhas. Devo ter, também, muitos INFORMES ELETRÔNICOS da época, aos quais o Djalma Ribeiro Couto se referiu na sua mensagem de 14/02/2008.

  Num recente informativo da ANABB (”AÇÂO”), um funcionário da ativa escreveu com desdém sobre os que saíram no PDV-95, dizendo que eles “… encheram os olhos com a quantia que iriam receber. Disse ainda, o pretenso nobre missivista, que a reintegração não é bem vista por ele, e que o pessoal - se houver a reintegração de fato - deverá vir a receber o mesmo que os concursados atuais e não os salários que recebiam na época, com as correções e progressões devidas.

Pensamento singular e próprio de quem não se viu coagido - de qualquer forma - a aderir ao Plano. Ademais, é de se ver que o salário inicial do BB, como apregoam as editoras de apostilas, em torno de R$ 1.700,00, já é muito melhor que salário ZERO, como o meu atualmente.

Lembro de um depoimento, também neste Blog, de certo colega que disse estar vivendo de favores de parentes, e fazendo “bicos” para sobreviver. Que o Banco nos reintegre, a que salário for, pois que com isso dar-se-á uma solução aos financiamentos imobiliários da PREVI pendentes, teremos assistência médica da CASSI, voltaremos a frequentar as AABBs, ergueremos as nossas cabeças.

  Só não conseguiremos rever aqueles amigos que já deixaram esta vida terrena, alguns que até praticaram suicídio, movidos pelo desespero de ver suas famílias no desamparo.

Ao pouco caso do missivista do “AÇÃO”, dedico uma oração pela sua alma covarde e cruel. Vamos lá companheiros, com a cabeça erguida pois que, durante tantos anos, por onde quer que tenhamos passado, ajudamos a escrever a história desse Banco, que é do Brasil e não do Governo ou das Administrações que aprovaram tais planos hediondamente capitalistas e cruéis.

Um abraço para todos!

Victal Byrnes de Olinda

Matr. 9.512.640-6

E-mail: victalbyrnes@gmail.com

AFONSO PEREIRA LOPES - Bom Filho de Demitido do BB

22 22UTC março 22UTC 2009

DEPOIMENTO DE AFONSO PEREIRA LOPES, FILHO DE DEMITIDO DO BB.

BBLOG DO ROMILDO

“Afonso Pereira Lopes Says: MARÇO 7TH, 2008, at 10:22

Sou filho de uma das vitimas desse vergonhoso acontecimento que aconteceu no nosso país. Na época em que meu pai saiu do Banco era muito pequeno, tinha apenas 7 anos.

    Muitas vezes entrava no quarto do meu pai sem bater à porta, e via as lágrimas dele correr em seu rosto… não entendia o porque do sofrimento do meu pai!!!

E para um filho, na idade em que se encontrava, ver sua fortaleza, desesperadamente, chorando por uma enganação cometida pelo seu pai era terrível!!

O sofrimento dele em sair do banco não foi restrita só a ele, mas a sua família toda, a minha mãe e a seus três filhos. Ouvir dos outros a todo tempo que foi uma tremenda burrice sair do banco sem condições nenhuma para criar seu filhos pequenos, não foi fácil a ele!!!

  Graças a Deus eu ainda estou com meu pai, porque poderia perdê-lo por uma crise de depressão que poderia leva-lo a morte, mas o refugio dele, que é a sua família, não deixou que isso acontecesse.

A vergonha de um povo é ocasionada pela as atitudes tomadas pela sua nação! Como podemos nos orgulhar de uma país que não ama seus filhos???

  Errar, eu sei que é humano, mas persistir no erro é burrice!!! E nunca é tarde para se corrigir!!! Vamos Lutar por uma causa justa, vamos protestar por um direito que foi arrancado de nós!!!

LEANDRO SCHMAEDEKE Says: julho 29th, 2008 at 22:21

BOM FILHO, AFONSO PEREIRA LOPES, esperamos que teu pai , tua família, todos tenham consciência, hoje, do que realmente aconteceu: ele não pediu, espontaneamente, a demissão, não foi voluntário, teu pai, nosso colega, foi forçado a pedir demissão.

  Ele não teve escolha, FOMOS DEMITIDOS, ROUBADOS, ENGANADOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS. Vivemos um REGIME DE EXCEÇÃO, direitos usurpados e negados.

Toda a dor que vocês sentiram não pode ser paga, apagada, mas a compensação mínima a ser reivindicada é a REINTEGRAÇÃO PLENA AO BB, A RESTITUIÇÃO PLENA DA PREVI E A REABILITAÇÃO PLENA À CASSI, CAPEC E CARIM. Sem esquecer das famílias dos demitidos falecidos.

  NÃO TIVEMOS ESCOLHA, NEM COMPAIXÃO, NEM TAMPOUCO SOLIDARIEDADE, SOMENTE TEMOS A NÓS MESMOS E NOSSOS DIREITOS USURPADOS E NEGADOS.

NÃO TEMOS CONCESSÕES A FAZER, NEM DESANIMAR.

A vontade de viver mantém a vida de um doente, mas, se ele desanima, não existe mais esperança”. (Provérbios 18.14)

HUGO GOMES DOS SANTOS - Matrícula BB 4.275.430-5

6 06UTC setembro 06UTC 2008

 

DEPOIMENTO DE MARIA AMÉLIA RODRIGUES SANTOS

AO BLOG DO SR. ROMILDO

Maria Amélia Rodrigues Santos Says:
Julho 21st, 2008 at 10:33

Caríssimo Sr. Romildo,

Sou viúva do ex-funcionário Hugo Gomes dos Santos - Matrícula BB 4.275.430-5 - Agência Serrolândia - BA.

É com muita tristeza e angústia que volto a relembrar o passado, onde meu ex-esposo foi obrigado a aderir ao tal famigerado PDV/95.

   Hugo nunca foi mais o mesmo homem, vivia cabisbaixo e não saía mais de casa curtindo sua angústia, contudo, essa angustia não durou nem 01 (um) ano, pois o mesmo veio a falecer, 26.06.96, parada cárdio-respiratória e Neoplasia estomacal.

Entretanto, essa Neoplasia era um tumor que tinha virado câncer havia mais de 02 anos, quando ainda funcionário do BB.

Hugo, legou-me um patrimônio de 06 (seis) filhos, sendo 01 de maior de idade e 05 (cinco) de menores de idade, filhos estes que tive de criar e dar o estudo com um salário de professora do interior.

    Comi o pão que o diabo amassou para criar estes filhos.

Após o falecimento de Hugo, procurei o Banco do Brasil várias vezes para ver se conseguia alguma coisa junto à PREVI referente a aposentadoria, contudo, parecia que eu tinha uma doença contagiosa quando ia ao BB, não encontrei apoio algum.

Soube desse blog através de um primo que também foi funcionário e que também aderiu ao PDV/95, e foi ele que me solicitou para contar a minha história.

Acredito muito em Deus e ACREDITO QUE VOCÊS CONSEGUIRÃO junto às entidades representativas alguma coisa para reverter a atual situação em que nos encontramos.

Que Deus os ilumine e os abençoe.

ALEXANDRE DE PAULA BRAQUEHAIS Matr. BB 0.439.706-1

28 28UTC agosto 28UTC 2008

Depoimento de Leandro Schmaedeke

A ANABB divulgou lista de credores não localizados de Ações IR sobre Licença-prêmio, férias, abonos, etc.

Confrontei meu cadastro de demitidos com a relação de credores da ANABB. O primeiro nome da lista que encontrei foi do meu amigo e colega demitido ALEXANDRE DE PAULA BRAQUEHAIS. Trabalhamos na mesma agência, saí no PDV, ele no PAQ. Tinha certeza, ele foi associado da ANABB, poderia ter outras ações, IR, FGTS, com a ANABB. Também teria novidades sobre os PL’s de reintegração.

Não localizei o telefone do Alexandre na lista on-line, liguei para Elizabeth de Paula Braquehais, talvez parente. Alguém atendeu e eu perguntei se conhecia o Alexandre, eu precisava falar com ele.
Respondeu, “espera aí, vou chamar a mãe dele”.

A Sra. Elizabeth, senti pela voz comovida e emocionada, perguntou: “O que o senhor quer com meu filho Alexandre?”

Respondi: “Meu nome é Leandro, trabalhei com o Alexandre no Banco do Brasil, fui demitido no PDV, 1995, ele um ano depois, noutro programa, o PAQ, 1996. Tenho notícias das ações judiciais, direitos dele, também tenho informações acerca de projeto de reintegração ao BB”.

A Mãe disse: “Meu filho Alexandre faleceu em abril 2007. Depois que saiu do banco nunca mais se recuperou. Depressão, alcoolismo, problemas cardíacos e depois câncer. Morreu no IJF, problema cardíaco e câncer".

"Eu nunca me conformei, não quero ouvir falar de Banco do Brasil, o senhor está falando de direitos dele, por favor, fale com a esposa e dois filhos dele, vou informar nome e telefone da viúva”.

Arrasado, aturdido, entristecido, liguei para a Christina, viúva do Alexandre, atendeu ao telefone a doméstica, disse que trabalhava há onze anos com a família, acompanhou de perto todo o sofrimento do Alexandre, escondia facas e objetos cortantes para evitar o suicídio. Ouviu suas lamentações: “por que saí do banco, por que me demitiram, agora o que vou fazer, como vou sustentar minha família?"

Ela acompanhou o suplício do Alexandre, da família do Alexandre, durante longos dez anos, até o final. Disse que a Christina, provedora durante todo este tempo, estava no trabalho, que eu ligasse mais tarde.

Liguei mais tarde para a Christina, confirmou tudo que eu ouvira, disse mais: o valor recebido do banco não foi uma “bolada, mal cobriu as dívidas, o Alexandre trabalhou somente nove ou dez anos no BB;  ele desistira da Faculdade de Ciências Atuariais, tentara Computação, desistiu também; ela não suportava mais ouvir falar em Banco do Brasil, tanto ouviu durante dez anos de sofrimento.

Pedi seu e-mail para enviar mensagem sobre as ações, direitos do Alexandre, agora da família. Disse-me que ainda não fizera o inventário, por falta de recursos.

Eu tinha visitado o Alexandre logo após a demissão, soube que estava com problemas. Ele tinha contornado, escapado da demissão no PDV, estressante, havia tirado um período de licença para tratamento psiquiátrico e, quando retornou ao trabalho, a “meta” do PAQ na agência era de duas demissões.

No PAQ não teve jeito, ele foi escolhido para a demissão, pressionado, jogado contra os demais funcionários da agência, porque não teria participado das reuniões da agência, aquelas de fim de tarde até a noite, sem pagamento de hora extra. Na verdade ele não participava das reuniões porquanto cursava, à noite, a Faculdade de Ciências Atuariais.

O Alexandre me disse que ingressara com ação judicial para reintegração por conta da demissão arbitrária, estava doente, sob tratamento psiquiátrico, quando foi compelido a pedir demissão.

Algum tempo depois o Alexandre veio até minha casa, ficava a dois quarteirões da agência onde trabalhávamos, trazia uma requisição de talão de cheques, disse que não tinha coragem de entrar na agência, pediu para que eu fosse buscar.

Respondi que eu também nunca mais entrara na agência por outros motivos, mágoa, raiva, indignação.

Enviei minha secretária doméstica, procurasse minha esposa, ainda trabalhava na agência, para fornecer o talão. Voltou com a informação: talonário bloqueado.

O Alexandre ficou transtornado, tinha dinheiro na conta, nunca tivera cheque devolvido, perguntou: "seria por causa da ação de reintegração?" Respondi que não sabia!

Concluiu, "vou retirar a minha ação de reintegração contra o banco, não posso ficar sem meu talonário de cheque-ouro do BB.

O Alexandre foi assim, nunca admitiu perder sua família BB, ter sido rejeitado, não ter mais seu sobrenome BB, seu emprego BB, ser cliente do BB, definhou e morreu por causa disso.

Deus o tenha, amigo e colega Alexandre. Deus proteja tua família, sofreu contigo e ainda sofre.

Deus nos possibilite ajudarmos tua família, tentarmos compensar o irreparável.

Fui autorizado pela Família do Alexandre a contar esta história, senão, seria mais uma história não contada dos demitidos do BB.

Leandro Schmaedeke

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