FRANCISCO MÁRIO DINIZ SOARES - Matrícula BB 3.446.070
4 04UTC novembro 04UTC 2009
Sou cearense e ingressei no Banco do Brasil em 10.07.72, na cidade de Carolina (MA). Daí fui transferido para Juazeiro do Norte (CE), depois para Russas (CE) e, finalmente, para Aquiraz (CE), onde terminei minha carreira por conta do famigerado PDV-1995-, à época com 23 anos de serviço e 45 anos de idade.
Por que aderi ao PDV? Porque faltando poucos dias para o final do prazo para adesão percebi através de relatório diário da DG que faltavam muitos adeptos para atingir a meta de 16.500 voluntários proposta pelo banco. Daí, eu formulei indagação querendo saber, caso a meta não fosse atingida, se iriam fazer demissões sumárias até atingir a meta. Responderam sim, e que iriam pegar principalmente quem tivesse processo disciplinar, dívidas e outros fatos desabonadores ou ainda, quem constasse da lista de elegíveis.
Como eu tinha um processo disciplinar por conta de uma atividade extra-banco e era considerado elegível, optei por “embarcar na canoa furada” para não perder a merreca da pecúnia – o resto das “vantagens” não passavam do que a lei determina – mal sabia eu que com mais de 21 anos de serviço qualquer servidor somente pode ser demitido por justa causa. Portanto, fui coagido a pedir demissão.
Com o dinheiro da indenização construí um galpão e instalei uma pequena fábrica de móveis. Mas, como imobilizei todo o meu capital, fiquei sem giro para tocar o negócio que algum tempo depois veio a falir.
Posteriormente, consegui um emprego (cargo comissionado) na Prefeitura local, onde fiquei por 04 anos. No entanto o prefeito atual, que assumiu em janeiro do corrente não renovou o meu contrato e o fato é que estou desempregado até hoje. Já fiz várias tentativas de bicos, mas nada tenho conseguido e estou atualmente vivendo às custas dos meus sogros (ele operário de uma indústria de álcool e cachaça e ela lavadeira de roupas). Confesso que sou grato a eles, mas minha vide tem sido um inferno por conta de constantes piadas que credito à ignorância e analfabetismo da minha sogra.
Tenho 05 filhos adultos, já criados, e um filhinho de 03 aninhos o qual matriculei em uma escolhinha particular (eu tinha emprego), mas não estou conseguindo pagar as mensalidades e não sei se vou poder continuar mantendo ele na escola no próximo ano. Semana passada, eu fui pegá-lo na escola e o mesmo queria que eu lhe comprasse uns bom-bons e eu não dispunha sequer de R$ 0,20 para fazê-lo parar de chorar. Isto não é apelação não, é fato real. Eu poderia não estar passando por isso não fora a malícia e crueldade do governo irresponsável do tal FHC, que retirou a dignidade, emprego, aposentadoria, plano de saúde, roubou os sonhos e vidas de milhares de trabalhadores honestos e capacitados.
Tentei reverter nossa situação, em outubro de 2008 enviei e-mail com apelo ao Ministro José Pimentel – Previdência Social – porém, nosso ex-colega jamais respondeu.
Esta é a minha história contada de forma reduzida.
Sei de outras tantas até mais comoventes que a minha, sem falar em dezenas de colegas que no cúmulo do desespero cometeram suicídio e outros tantos que sofreram enfartos, AVC, etc.
Por isso nós, os Demitidos do BB, juntos, conscientes e unidos, exigimos a reparação de todos os danos que nos causaram. VAMOS À LUTA!!!
Francisco Mário DINIZ Soares
A palavra certa na hora certa é como um desenho de ouro feito em cima de prata.
(Provérbios 25.11)




