DINIZ ANDRADE JUNIOR – Matrícula BB 2.442.440-4
4 04UTC novembro 04UTC 2009
RELATÓRIO SOBRE MINHA DEMISSÃO DO BB E CONSEQUÊNCIAS
Assumi no Banco do Brasil S.A. em Nova Cruz - RN, no dia 11 de agosto de 1980. Foi à data mais feliz da minha vida. Na Época, eu trabalhava 10 hs por dia. Era época de custeio agrícola e o Banco pagava 4hs de prorrogação/dia. Mesmo depois de terminar o custeio, continuamos a prorrogar 2hs/dia, pois a agência necessitava. Daí, eu nunca mais deixei de prorrogar o expediente de trabalho, adquirindo mais tarde direito permanente de oito horas de trabalho diário. Trabalhava muito, mas era feliz. Consegui até comprar uma casa e carro novo.
Em 1995, eu estava lotado na Agencia de Parnamirim – RN. O terrorismo entre o funcionalismo do BB estava formado. Mensagens chegando a todo instante da Direção Geral, dizendo que o Banco precisava conter despesas e para isto teria que demitir funcionários.
A alternativa seria o Pacote de Demissão Voluntária – PDV, que estava sendo criado e que nos mostravam os valores e ainda nos prometiam assistência, fora do Banco, profissional, financeira e psicológica. A pressão era forte e principalmente em cima de mim que era funcionário de 8 hs. Tido como funcionário caríssimo para o BB. Já estava certo, quem não pedisse demissão seria transferido, pois o quadro pessoal da agencia tinha se reduzido para menos do que a metade.
Saí em Julho de 1995 no PDV. Restava a dor no peito e a pergunta. E agora? O que eu faço? Fui preparado e bem preparado para ser bancário. O que fazer fora do Banco. Tentei fazer alguma coisa que lembrasse o Banco, então abri uma Factoring. Era o começo da minha ruína. Começou a inadimplência e eu comecei a investir em outra coisa para salvar o capital.
Precisava de dinheiro rápido. Daí eu me meti em promover eventos. Contratei o palhaço Tiririca para fazer show em Mossoró-RN, João Pessoa-PB e Recife-PE. Nas três cidades com datas corridas, porque ficava mais barato. Senhores, quase enlouqueci de desespero. Cada show custava em média R$ 40.000,00 para apurar R$ 10.000,00 na portaria. Gastei R$ 120.000,00, para apurar R$ 30.000,00. Tive que vender minha casa quitada, a chave da casa da PREVI, meu carro, entrei no cheque ouro, cartão de crédito e ainda fiz um CDC para pagar as despesas, senão eu morria.
Dizem o Banco e a PREVI que estou devendo ao Bando (bando mesmo) e a PREVI, eu tenho certeza que eles é que me devem e, não tenho como pagar, mas eles têm, porque me roubaram muito mais na demissão abusiva e criminosa do que dizem que devo a eles, pois se apropriaram indebitamente da minha poupança de aposentadoria complementar, portanto, penso que não devo, nego e não pago, enquanto não me pagarem o que me devem, negam e não pagam.
Não gosto nem de me lembrar, estou digitando e tremendo. Perdi tudo e estava completamente só, não tinha o apoio do Banco cujo qual defendia tão veemente. Senhores, eu procurei terra e não encontrei, eu quis morrer. Meu pai me acolheu e me ajudou.
Ainda estou de pé, porque Deus sempre me segurou. Hoje, sou hiper-tenso e pré-diabético. A angustia e o desespero faz parte do meu dia–a–dia, sem perspectiva do amanhã. Se eu conseguir de volta a minha a aposentadoria roubada, vai ser o dia que vou recomeçar a viver.
Natal-RN, 30 de outubro de 2009.
Diniz Andrade Junior – Ex-funcionário do Banco do Brasil S.A. – Matrícula BB 2.442.440-4
Deus é a minha praça forte e torna reto o meu caminho;
Adestra as minhas mãos para o combate e os meus braços para retesar o arco de bronze;
Tu dás-me o teu escudo de salvação e a tua bondade faz-me prosperar.
(Salmo 22: 33; 35; 36)






