HISTÓRIAS DOS DEMITIDOS DO BB

Espaço aberto às histórias dos Demitidos do Banco do Brasil, aos depoimentos de familiares e amigos dos demitidos falecidos ou desaparecidos, e aos colegas aposentados precocemente para sobreviver às demissões abusivas, os quase Demitidos do BB.

VICTAL BYRNES DE OLINDA - Matrícula BB: 9.512.640-6

21 21UTC julho 21UTC 2009

DEPOIMENTO AO BBLOG DO ROMILDO
Caros Colegas,

        Estou chegando neste Bblog do Romildo agora, mas estamos juntos desde 1969, quando ingressei no BB, tendo saído por circunstâncias não muito claras e com os ouvidos cheios de promessas vãs, em 1995.

Em 1996, quando procurei o Banco para fazer um empréstimo numa linha de crédito que havia sido criada para atender aos pedevistas, um dos gerentes da agencia que procurei (Ag. Centro-Salvador-BA), simplesmente me informou que a rubrica contábil criada para a finalidade existia, mas não havia recursos.

  Vejam só o quanto o Banco pretendia nos apoiar! Um ano após - que é exatamente o prazo que normalmente uma empresa nova começa a passar por dificuldades financeiras - já não se conseguia o apoio financeiro do ex-patrão. Apoio esse largamente divulgado.

As dificuldades por que tenho passado, venda de casas, de terrenos, de carros, endividamento, SPC, SERASA, processos de cobrança de IPTU (com penhora recente da casa que me restou e onde moro com minha família).

Apreensão e Busca de Veículo, débitos junto ao Banco que foram objetos de cobrança por empresas, cartões de crédito, financiamento da PREVI em atraso, com cobrança, também, por empresa do ramo.

A discriminação do mercado formal de trabalho, devido à idade. O curso superior não concluído por ter sido jogado pra lá e para cá pelo Banco, tendo trancado a matrícula na Universidade Federal do RN e não ter tido condições de concluir, por ter sido transferido para interiores de Alagoas, Sergipe, Minas Gerais e Bahia.

Tudo isso, e mais o sonho de poder retornar a ter um salário fixo, para poder planejar a vida da minha família, servir de exemplo para os filhos com um trabalho digno e representativo, tudo, tudo, tudo, já li e reli neste Blog, nas palavras de diversos colegas que, como eu, se sentiram ludibriados, e se sentiram - até - envergonhados ao entrar em alguma agencia do Banco.

No nosso pensamento se passava a idéia de que todos os funcionários liam na nossa testa “Devo ao Banco”. Só que como diz o ditado: “Devo, não nego, pago quando puder”!

Caro Marcelo Dantas, também tenho o Livreto “PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO”, de julho/1995. Este está à minha frente, no exato momento em que digito estas linhas. Devo ter, também, muitos INFORMES ELETRÔNICOS da época, aos quais o Djalma Ribeiro Couto se referiu na sua mensagem de 14/02/2008.

  Num recente informativo da ANABB (”AÇÂO”), um funcionário da ativa escreveu com desdém sobre os que saíram no PDV-95, dizendo que eles “… encheram os olhos com a quantia que iriam receber. Disse ainda, o pretenso nobre missivista, que a reintegração não é bem vista por ele, e que o pessoal - se houver a reintegração de fato - deverá vir a receber o mesmo que os concursados atuais e não os salários que recebiam na época, com as correções e progressões devidas.

Pensamento singular e próprio de quem não se viu coagido - de qualquer forma - a aderir ao Plano. Ademais, é de se ver que o salário inicial do BB, como apregoam as editoras de apostilas, em torno de R$ 1.700,00, já é muito melhor que salário ZERO, como o meu atualmente.

Lembro de um depoimento, também neste Blog, de certo colega que disse estar vivendo de favores de parentes, e fazendo “bicos” para sobreviver. Que o Banco nos reintegre, a que salário for, pois que com isso dar-se-á uma solução aos financiamentos imobiliários da PREVI pendentes, teremos assistência médica da CASSI, voltaremos a frequentar as AABBs, ergueremos as nossas cabeças.

  Só não conseguiremos rever aqueles amigos que já deixaram esta vida terrena, alguns que até praticaram suicídio, movidos pelo desespero de ver suas famílias no desamparo.

Ao pouco caso do missivista do “AÇÃO”, dedico uma oração pela sua alma covarde e cruel. Vamos lá companheiros, com a cabeça erguida pois que, durante tantos anos, por onde quer que tenhamos passado, ajudamos a escrever a história desse Banco, que é do Brasil e não do Governo ou das Administrações que aprovaram tais planos hediondamente capitalistas e cruéis.

Um abraço para todos!

Victal Byrnes de Olinda

Matr. 9.512.640-6

E-mail: victalbyrnes@gmail.com

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