HISTÓRIAS DOS DEMITIDOS DO BB

Espaço aberto às histórias dos Demitidos do Banco do Brasil, aos depoimentos de familiares e amigos dos demitidos falecidos ou desaparecidos, e aos colegas aposentados precocemente para sobreviver às demissões abusivas, os quase Demitidos do BB.

GETÚLIO ALBERTO RIBEIRO DA SILVA - MATR. BB 3.730.800-9

18 18UTC dezembro 18UTC 2008

 

 

 

 

Carta ao Presidente de República Luís Inácio Lula da Silva enviada através de e-mail em 9 de maio de 2003, reproduzida aqui com pequenas adaptações lingüísticas.

Senhor Presidente,

 

Tenho certeza que V.Ex.ª. lerá e levará a sério este e-mail, porque, desde 1983, quando iniciei minha vida profissional no BB e de pai de família, sempre acreditei e ainda acredito, em suas propostas e nas propostas do PT e o que vou relatar em seguida é um resumo do que eu e minha família temos passado nesses anos é a mais pura VERDADE, que poderá ser comprovada por quem quer que seja.

Fui FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL por mais de 13 (treze) anos de 1983 a 1996, concursado, função que exerci com muita dignidade, pois NUNCA respondi a nenhum processo administrativo/disciplinar (conforme documento do BB em meu poder).

Sempre me dediquei muito ao BB, pois NUNCA exerci outra atividade profissional durante o período em que trabalhei no BB.

Em 1983 quando ingressei nos quadros funcionais do Banco, cursava a Universidade Federal do Ceará (curso de Geologia) e abandonei o curso para me dedicar integralmente ao BB em 02 (duas) cidades do interior do Ceará (Santa Quitéria e Viçosa do Ceará).

Em 1996, fui forçado a aderir ao famigerado “PDV”, após 2 (dois) anos de intensa perseguição funcional, familiar, terrorismo e humilhação por parte dos “administradores” do Banco, fato esse que acredito ter contribuído muito para agravar os problemas de saúde de minha esposa, fato que relatarei a seguir.
Observação:
O “administrador” que me indicou ao “PDV”, pouco tempo depois, foi DEMITIDO do Banco do Brasil por irregularidades cometidas na agência e em outra em que atuou posteriormente, assim fui informado por colegas na época.

Ainda em 1996, montamos em pequeno negócio na própria cidade em que morávamos, Viçosa do Ceará, pois gozamos de muito prestígio, admiração e respeito até hoje naquela cidade.

Os negócios iam relativamente bem, quando, em 1998, minha esposa, então com 38 anos de idade, adoeceu gravemente de CÃNCER DE MAMA.

Apesar de mantermos plano de saúde (CASSI), as despesas extra-hospitalares NÃO eram cobertas pelo plano, que, diga-se de passagem, é excelente; nossas economias particulares e os negócios arruinaram, pois as despesas com os deslocamentos para Fortaleza, estadia e os medicamentos caríssimos para o tratamento da enfermidade foram muito altas, nos levando a trazer o restante da família, então menores de idade, para residir em Fortaleza na casa de minha mãe pensionista do INSS (78 anos).

Em dezembro de 2001, infelizmente, minha esposa faleceu.

Estou, atualmente, com 45 anos de idade, morando em Fortaleza quase que exclusivamente às custas de minha mãe.

Estamos nos esforçando muito aqui em casa; minha filha mais velha conseguiu um trabalho modesto, porém, dá para pagar algumas cadeiras que faz em uma universidade particular em Fortaleza (UNIFOR), curso de Direito, e eu tenho feito cursos de reciclagem profissional, estou estudando novamente para concursos públicos e batalhando trabalho/renda, porém, até o momento, NÃO OBTIVE ÊXITO.

Enfim, Senhor Presidente, gostaria de saber se existe algum estudo por parte do Governo Federal de readmissão de funcionários do Banco do Brasil, forçados a aderir ao “PDV”.

SE, POR ACASO, ESSA MENSAGEM CHEGAR ÀS MÃOS DE ALGUM ASSESSOR, PEÇO, PELO AMOR DE DEUS, QUE A LEVE AO CONHECIMENTO DO PRESIDENTE LULA.

Estou passando por sérias dificuldades financeiras, psicológicas e morais para viver e acabar de criar meus filhos, dignamente, como sempre procuramos fazer.

Espero, ansiosamente, por uma resposta de Vossa Excelência!

Atenciosamente,

GETÚLIO ALBERTO RIBEIRO DA SILVA

Matrícula no BB: 3.730.800-9

A mensagem enviada ao presidente Lula foi encaminhada em seguida ao Banco, departamento RSA/GERFE/DIREP - Pt. 0300/03, de 27.08.2003.

O teor da mensagem EM RESPOSTA é o seguinte, em resumo:
“Que não seria possível a reintegração aos quadros do BB, tendo em vista a decisão n.º 416, de 17.07.96 do TCU (muito longa), que julgou a reintegração conflitante com o disposto no artigo 37 da Constituição Federal”.

Abraço cordial e vamos à LUTA!

 

CELSO SKORA - MATRÍCULA BB

 

 

 

 

    Assumi no Banco em nov/80, saí em mar/91 no PDI, na ag. de Paranaguá. Em set/83 fui aprovado no concurso interno para “Nível Médio” (mais tarde extinto).

Na reestruturação de carreira, início de 91, fui enquadrado como “E-7″, isso foi 2 meses antes de sair do Banco. Atuei como Fiscal do Setop e Caiex.

Em fev/91 surgiu a famosa “lista dos elegíveis”, onde, 17 eram os eleitos, de um total de 89 funcis. Aos eleitos foi dado o “privilégio” de procurarem outro lugar para trabalhar, pois, ali já não poderiam mais.

 

 

 

Transcorridos alguns dias e percebendo a dificuldades de todos os “eleitos” em conseguir colocação, mesmo em posto efetivo e em locais longínquos e inóspitos e, ainda, alertados de que, se não encontrássemos colocação poderíamos ser transferidos para qualquer local do país, a critério do Banco, e mais… eu sabia que enfrentaria dificuldades de toda ordem em local longe de minhas origens (Curitiba), principalmente financeiras, decidi, então, aderir ao PDI, pois, se não o fizesse, ainda correria o risco de ser demitido no interesse do serviço, perdendo os incentivos oferecidos (um VP/ano de serviço + 50% da contribuição pessoal à PREVI).

 

Já fora do Banco, tentei ganhar a vida com transporte de cargas. Comprei 2 caminhões usados e contratei motoristas. Só me ferrei.

Depois passei por comércio de veículos “picareta”, tive malharia, depois fabricação de aquecedores elétricos e solares, mas nada vingou.

 

Todas essas atividades foram de forma societária. E sociedade é complicado, não é mesmo?

E hoje em dia “estou vendendo o almoço pra comprar a janta”, fazendo “bico”, vendendo e instalando aqueles aquecedores elétricos e solares, mas coisa muito eventual, por falta de verba, principalmente.

 

Era isso. Viram que história “linda” ?

“EDUARDO LUCAS” - MATRÍCULA BB “3.520.280-4″

 

 

Em 1989, o Lula foi candidato à Presidente pela 1ª vez contra o Collor, e só não levou devido a manobras terroristas da Elite que você deve lembrar. Nós do BB, em peso, estávamos com o Lula, e isso o Collor não perdoou; logo que assumiu, além de confiscar a poupança do Povo, começou a caça aos “marajás”, dentro deste rol, nós, do BB.

Em 1990, assumiu o Interventor Pollicaro na Presidência do BB para começar o processo de “reengenharia”, tão em moda à época, era a panacéia do momento, lançando o NMOA, Novo Modelo Organizacional das Agências = Redução de quadros das Agências + Perda de comissões + transferências compulsórias por redução de quadro e + PDI (Plano de Demissões Incentivadas = PDV).

Tomei posse no BB em 15/12/1982, em João Pessoa - PB, lá exerci funções de Caiex, Fiscal e Assistente de Supervisão (tinha passado no concurso interno para Nível S, 1986, Camillo Calazans, grata memória).

Em 1987 pedi remoção para Limoeiro do Norte - CE, minha cidade natal, onde cheguei como Posto Efetivo, mas logo recuperei a comissão de Assistente de Supervisão, no SETOP, onde fiquei, até março/199l, quando perdi a comissão por redução de quadro (NMOA) e ainda ficando sujeito a remoção compulsória, pelo mesmo motivo. Estava instalada a “Saga do Terror”, que chegou em seu apogeu em 1995, com o então outro Fernando, o Cardoso (FHC).

Naquele processo, eu estava no “Público Elegível” para aderir ao PDI = PDV. Perder a comissão significava mais da metade do salário e sujeito a ser removido compulsoriamente para a “Cochinchina”, com a família, ganhando o mísero VP de Posto Efetivo. Era para escolher : ou morar na favela e ter comida, ou morar em local digno e passar fome, pois o salário não daria para o aluguel e a feira.

Pelas regras da Previdência daquela época, me faltavam 23 anos para a aposentadoria, os colegas que podiam se aposentar pegaram aquela tábua de salvação. Como eu já tinha enxergado que o BB a partir dali nunca mais seria o mesmo, e já antevia longos anos de tortura, que realmente aconteceram, aderi ao PDI = PDV para me aventurar na iniciativa privada, pegando minhas verbas rescisórias + um VP para cada ano trabalhado + parte de minhas contribuições para a Previ, pois nem 1/3 das contribuições totais saiu (só 50%). Vendi minha casa, em construção, já estava na fase de acabamento, juntei com minhas verbas rescisórias, assumi uma operação FINAME no BB, para aquisição de máquinas para reciclagem de plásticos e transformação/fabricação de mangueiras/tubos plásticos.

Eu não tinha experiência empresarial nem capital suficiente para aquela atividade, fui “aprender a atirar no tiroteio com uma garrucha, contra fuzis AR-15 dos concorrentes”. Quem tem experiência sabe, isto não dá certo, mais ainda em uma conjuntura econômica adversa, como naquela época. Não deu outra. quebrei feio, perdi tudo, inclusive o crédito. Desde que tinha saído do Banco, jamais tive sossego.

Comi o pão que o diabo amassou, passei necessidades, mas tive o apoio de minha família ( pais e irmãos) que me custearam nas fases mais agudas, quando comecei a me preparar para concursos, pois, com a minha idade, hoje tenho 50 anos, não conseguia emprego digno.

Em 09/2003 fiz, novamente, o concurso do BB, passei em 7º lugar regional e 47º no Estado. Só que comecei a enfrentar outra batalha: o Banco não aceitava minha posse, pois eu tinha dívidas com ele. Procurei um advogado e entrei com uma ação cautelar inominada, que, com muita sorte, conseguiu uma liminar, obrigando o Banco a me empossar.

O Banco entrou com um agravo de instrumento no TJPE, alegando o artigo da CLT que diz: “O empregado bancário responsável contumaz por dívidas exigíveis legalmente será demitido por justa causa.” Só que o Desembargador Relator negou o agravo, alegando que quando contraí as dívidas eu não era bancário. Em 09/02/2004 tomei posse noutra agência. Hoje estou Assistente de Negócios.

Quando tomei posse novamente no BB, fiz uma consulta na Previ sobre a possibilidade de dar continuidade no Plano I, responderam que não podia, pois eu tinha sacado a parte que tinha direito, e o resto que ficou, incorporou ao patrimônio comum.

Pedi que transferisse a parte que ficou para o meu atual Plano II (Futuro), negaram dizendo que os planos são independentes, não se comunicam e o que ficou perdi.

Por todos os motivos acima relatados é que estou na luta para recuperar o que me foi roubado.

Abraço/ Eduardo Lucas 

EVANDRO LUIZ DE ALMEIDA DA SILVA MATR. BB 3.115.990-7

 

Depoimento ao BBlog do Romildo

 Fevereiro 7th, 2008 at 21:48

 EVANDRO LUIZ DE ALMEIDA SILVA Says:

Olá…
Também sou PDVista. Matr. 3.115.990-7. Posse em 16.06.82. Idade atual 46 anos.
 

Num belo dia, me chegou o Gerente Geral e disse: Você e mais três funcionários são elegíveis (eu nem sabia o que era essa palavra).

Perguntei: O que é isso? Ele disse que teria que sair do Banco através do PDV e que os recursos já se encontravam na agencia.

A partir daí, começaram as pressões. Comissão de caixa, rodou.

Por fim, o mesmo me solicitou o cartão operacional (aquele branquinho, assim que interligou o on-line nas agências) e qual não foi minha surpresa, quando ele o picou com uma tesoura dizendo: VOCÊ TEM TRÊS ERRES PARA ESCOLHER: RONDONIA, RORAIMA OU RUA!!!

Sem comissão, perdi o acesso à bateria de caixas, tiraram-me do atendimento e me passaram para trabalhos internos, tais como: arquivamento de relatórios, slips, verificação de móveis com defeito, compra de lanches e suprimentos, etc, etc…

Até que chegou o famigerado dia da assinatura no PDV, a qual após concretizada foi precedida de uma sonora vaia de 02 colegas da bateria (homens de confiança do gerente-geral). Pude notar compaixão apenas nos 02 vigilantes, no pessoal da limpeza e num ex-colega que na época era menor aprendiz e hoje é um dos mais brilhantes advogados de BH. Foi uma tremenda covardia.

A partir daí, começou meu calvário. Nada mais deu certo. Fui parar várias vezes nas barras da justiça por dívidas (até fiquei amigo do oficial de justiça, face tantas visitas que o mesmo me fez). Nunca mais consegui trabalhar com carteira assinada. Tudo que montei deu errado (somos bancários por essência). E hoje? Sobrevivo de pequenos bicos, vendas de roupas porta-a-porta (sacoleiro) e do pequeno salário de minha esposa (R$ 693,00).

 

 

Quando falei com minha esposa do projeto do deputado Daniel Almeida, a mesma me disse com lágrimas nos olhos: “Eu sempre te vi funcionário do Banco, sempre visualizei você saindo de casa com aquela camisa branca indo trabalhar, nunca perdi as esperanças…”

 

 

Estamos orando ao nosso Deus Todo Poderoso, mais essa misericórdia por nós…

Obrigado,
Evandro Luiz de Almeida Silva
Matr. 3.115.990-7
Última Agencia: Buritizeiro - MG 1680-2

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