“LUANA C. FURTADO” Matrícula BB 7.015.073-4
20 20UTC setembro 20UTC 2008
As lágrimas já estão rolando mesmo antes de começar a contar minha história, é muita mágoa, é muita vergonha, muito sofrimento, cicatrizes que sangram até hoje.
PDV 1995, esse turbilhão avassalador que entrou na minha vida e quase acabou com ela. Resolvi montar uma empresa que sobreviveu por um ano, não esperei pelo prejuizo, resolvi fechá-la. Foi então que começou o meu calvário.
No banco me deixaram bem claro que já não era mais bem-vinda, meus supostos amigos do banco, agiam como se eu tivesse uma doença contagiosa. Vejam bem, esses eram o meu rol de “amigos”, passávamos Natal e Ano Novo juntos e todas outras comemorações como aniversários, casamentos, finais de semanas,…”família BB”… foi um choque!!! Nem preciso dizer que entrei numa depressão profunda…
Minha filha mais velha, então com 15 anos, perdeu praticamente todos amigos, pois esses eram filhos de funcionários do BB, entrou para o mundo das drogas e nele está até hoje.
Meu marido, digo ex, esse sim, foi o canalha maior, um dia pedi a ele que levasse meu carro ao mecânico, aproveitando-se da situação do carro estar em nome dele, vendeu, pegou o dinheiro e me abandonou com 3 filhos (15-04-03 anos), disse que havia casado com uma funcionária do BB e como ela já não existia… beijinho… beijinho… mudou-se para outra cidade.
Foi então que desesperadamente comecei a vender as coisas de dentro de casa, precisávamos comer, sobreviver. Então, para complicar mais um pouquinho, tive a maldita síndrome do pânico, fiquei quatro meses sem conseguir passar da porta de casa para a rua.
Consegui me recuperar, graças ao amor e à determinação em cuidar de meus filhos, eles foram a minha salvação, pois confesso que pensei em suicídio por diversas vezes, mas eles só tinham a mim e eu a eles.
Sempre fui muito responsável, independente e orgulhosa, nunca fraquejei perante meus pais e meus irmãos, sempre omiti minha verdadeira situação, mesmo em relação ao meu ex-marido. Sempre que nos encontrávamos o assunto era sempre o mesmo, não aguentava mais ouvir que havia feito a besteira de sair do banco.
O tempo passou, passou de uma maneira tão sofrida que hoje olho no espelho e quase não me reconheço, e o que me dói é ver que minha juventude passou e eu não vivi, de tão absorvida em preocupações e em problemas que nunca se acabam.
Hoje minha grande batalha, a mais difícil de todas, é conseguir recuperar minha tão amada filha, frágil, não suportou o peso que nos foi imposto, já derramamos muitas lágrimas. Mas eu vou conseguir recuperá-la, sei que vou conseguir, pois hoje estou forte de novo, tenho muita fé, Deus está iluminando meu caminho e hei de curar todas as nossas cicatrizes.
Quanto ao banco, não saberia dizer quem foi mais maquiavélico, se as mentes ignóbeis que elaboraram o PDV ou ”meus amigos” covardes que lá ficaram.




