HISTÓRIAS DOS DEMITIDOS DO BB

Espaço aberto às histórias dos Demitidos do Banco do Brasil, aos depoimentos de familiares e amigos dos demitidos falecidos ou desaparecidos, e aos colegas aposentados precocemente para sobreviver às demissões abusivas, os quase Demitidos do BB.

LUIZ AUGUSTO PESCE DE ARRUDA - MATR.BB 6.400.230-X

13 13UTC setembro 13UTC 2008

História contada no BBLOG do Romildo

Luiz Augusto Pesce de Arruda Says:
Agosto 26th, 2008 at 2:55

Saíram comigo do BB, em 31.03.1995, através de uma ação judicial desonrosa e que causou seqüelas não só a mim, mas a toda a minha família.

Fui obrigado a provar JUDICIALMENTE que era HONESTO e, após lutar por aproximadamente um ano e meio, o Banco foi OBRIGADO, por sentença transitada em julgado, a reverter o motivo da demissão.

 Detalhe: a armação foi tão escabrosa e escandalosa que os advogados do Banco faltaram à audiência inicial!!!!!

Mas o dano estava feito!

Tive contas bancárias encerradas, processos de cobranças judiciais e uma Carteira de Trabalho sem registro até hoje.

A ação de ressarcimento está paralisada em virtude do PL 512/2007 e também porque, pelos Estatutos do BB, você não pode ser readmitido se estiver processando o Banco.

Então, dando um crédito de confiança, aguardo o desenrolar dos fatos.

 
Pessoalmente, superei o trauma, formei meus três filhos, excelentes profissionais nas suas áreas de atuação, montei uma empresa atuante até há 3 meses atrás.

Agora, resolvi me dar um período sabático e descansar um pouco, mas, se aprovada a Proposição do Deputado Daniel Almeida, gostaria de colocar a especialização que fiz na FGV, aos 57 anos de idade, a serviço do Banco, porque sinto, cada vez que entro na agência de minha cidade, que o pessoal não tem COMPROMETIMENTO com a Casa.

E isso me enche de tristeza. Pessoas desqualificadas e sem honra, de início me prejudicaram, me fizeram sentir o mais miserável dos homens, me humilharam (Imaginem chegar em casa, 18:00 h. de uma sexta-feira e dizer a todos: fui demitido!), mas também me proporcionaram a descoberta de uma outra pessoa.

O lutador incansável que me obrigou a trabalhar de 2ª a 2ª, sem descanso e mesmo assim me permitiu achar tempo para polir meus conhecimentos, curtir meu único neto, passar a apreciar os prazeres do vôo em ultraleves, virar um aventureiro em trilhas de barro como jipeiro, parar de beber e de fumar e, finalmente - mais importante que tudo - perdoar a todos e me reconciliar com Deus, de quem por soberba e orgulho estava afastado!

Só por esse reencontro, reviveria tudo outra vez, sem remorsos!

Mas a luta continua e, se me acharem digno de acompanhá-los, contem comigo.

1 Comentário »

  1. Comentário por Lizamay — 23 23UTC setembro 23UTC 2008 (0:22)

    Luiz, sua história é muito bonita, e creia-me, os que continuam no BB hoje, como eu, só o fazem por estarem perto de se aposentarem. No meu caso, já poderia me aposentar proporcionalmente, com o INSS, mas como não tenho confiança na PREVI, prefiro esperar para completar o INSS integral. Falta pouco, graças a Deus. Mas como ia dizendo, o Banco hoje admite o que de pior há no mercado. São jovens descomprometidos, que ali entram apenas esperando “algo melhor”, e o nível de permanência dos novos funcis é de, pasmem, apenas 1 mês! Soube disso através do Cesec, há uns três anos. Ou seja, o Banco hoje cultua o funcionário que lhe dará a facada nas costas, em detrimento dos antigos, que ele está expulsando pouco a pouco. Hoje, o percentual de funcionários pós-1998 é de quase 70%, e não vejo melhora alguma.
    O que passo a meus filhos e parentes é que esqueçam o Banco como carreira a ser seguida.

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